Meu nome é Bruna Stephen Singer,
sou mestiça. Enfim, foi um susto para mim e minha mãe quando recebi a carta,
meu pai disse que queria contar antes, mas nunca era o momento certo, quando
papai disse que era bruxo minha mãe jogou um vaso na cabeça dele e o xingou de
todas as palavras que eu conhecia e mais um pouco. Bem, eu não a culpo, também
fiquei um pouco nervosa com ele por não ter me falado, o que custava ele ter
chegado pra mim e ter dito “ei filha, eu ando de vassoura e mexo num caldeirão lá
no porão e um dia você também vai fazer essas coisas”, é claro que ele não tem
um caldeirão no porão, nem uma vassoura. Mas no dia em que eu recebi a carta,
depois que ele se recuperou da pancada que levara na cabeça, meu pai me levou
até o seu quarto e tirou de dentro do cofre, que ele tinha escondido atrás do
guarda-roupa, uma caixinha de madeira e de dentro dessa caixinha ele pegou uma
bela varinha mágica feita de madeira, ela tinha entalhes no começo do cabo que
eu não conseguir distinguir direito o que era, mas era em si perfeita.
Minha mãe subiu para o quarto
logo depois, ela estava com o rosto vermelho de tanto gritar, mas parecia mais calma,
ela se encostou ao lado da porta e olhou para o meu pai, para varinha, depois
para mim e voltou a encarar o meu pai e disse, eu senti na voz dela que ela
estava falando a verdade, que da próxima vez que ele escondesse alguma coisa
dela, ela iria corta a língua dele. Ele entendeu o recado e disse que nada mais
seria escondido dela ou de mim, e então, contou sobre a sua família e o mundo
em que foi criado.
“Eu venho de uma família de
sangue puro, quer dizer, só a bruxos na família, hoje em dia isso é muito difícil
de ver, e bom, agora nossa família também não é mais pura.” Ele disse sorrindo,
mas a mamãe não gostou da gracinha, ele tossiu forçado e continuou. “Bom,
quando se faz onze anos, as crianças de sangue mágico recebem uma carta com a
autorização para estudar magia em Hogwarts, uma das melhores se me permite
dizer, eu estudei lá por sete anos e aprendi tudo que sei naquela escola, mas
ai eu conheci sua mãe e resolvi deixar tudo pra trás e viver uma vida normal
com ela.” Então ele olhou para mim, sua voz saiu doce e gentil. “Agora chegou a
sua vez. Você pode estudar magia se quiser, mas se escolher continuar sendo uma
garotinha normal eu vou entender, só quero que você se sinta bem com a escolha
que tomar.” Seus olhos continuaram me encarando, esperando uma resposta, eu
hesitei, tudo aquilo era demais para a minha cabeça, mas o pensamento de poder
fazer magias e voar numa vassoura venceu e eu disse que sim, que queria ir para
essa tal Hogwarts, ver no que dava.
Minha mãe arrumou uma mochila com
roupas suficientes para passar uma semana enquanto eu lia a minha carta:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS
Diretor: Patrick James Willian(Ordem de Merlim, Primeira Classe)
Prezada Sra. Singer;
Temos o prazer de informar que V.S.a tem uma vaga na escola de Magia e
Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos
necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de
julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McConagall. Diretora Substituta.
Minha mãe estava acabando de
guardar minha escova de dentes na mochila quando o papai apareceu na porta e
disse “Já mandei a coruja informando que você vai ir para a escola este ano.E
então já está pronta para irmos comprar os seus matérias?” Minha mãe levantou a
mochila, ela não iria conosco porque estava lotada de provas para corrigir, eu me
esqueci de mencionar que minha mãe é professora de História no Ensino Médio,
então era só eu e meu pai por uma semana. Sabe, a experiência foi bem legal,
não via meu pai tão empolgado desde a minha primeira apresentação de teatro na
escola quando eu interpretei a Rapunzel, na peça intitulada “Deu a louca nos
contos de fadas”, chegamos a Londres na noite de Domingo e nos hospedamos num
hotel comum, ele disse que da próxima vez ficaríamos no Caldeirão Furado,
quando eu perguntei por que não poderíamos ficar lá desta vez ele me respondeu
que eu não estava preparada e que seria um grande choque de realidade para mim.
“Fica para o próximo ano querida.” Ele disse bagunçando o meu cabelo e me
mandou ir direto pra cama, pois teríamos um longo dia amanhã.
Fui acordada pela manhã com o
despertador do meu pai tocando e ele dizendo “acorda dorminhoca”, eu levantei
da cama e fui me trocar, coloquei um short jeans, cor de laranja, e uma blusa
de frio azul, mais por costume do que por frio, que ficava justa ao corpo,
depois que calcei meus tênis all stars fomos tomar café da manhã em uma
cafeteria em frente ao hotel. Eu pedi um capuchino e rosquinhas de chocolate
enquanto o meu pai pediu café com leite e torradas com geleia. Depois de
sairmos do lugar bastante satisfeitos, seguimos por uma serie de ruas até
chegarmos em frente a um bar velho com uma placa em cima da porta que dizia
CALDEIRÃO FURADO, não entendi por que estávamos ali, pois nos devíamos comprar
meu material, mas antes que eu pudesse perguntar meu pai me disse “Este é o
caminho para as lojas, não achou que elas iriam ficar aonde pudessem ser vista
por todos achou?”
O bar era um pouco escuro,
iluminado apenas por algumas velas que ficavam sobre as mesas ou flutuando
perto das paredes, fiquei me perguntando se tudo naquele mundo seria tão
sombrio, acho que meu pai percebeu que eu estava começando a ficar com medo
porque ele disse “relaxa, nem todos os lugares aqui são como este salão e as
pessoas aqui são todas amigáveis, você não tem que se preocupar querida.”
Atravessamos o bar e saímos pelo porta dos fundos, o que eu vi depois me
surpreendeu muito. Uma PAREDE era só isso o que tinha ali, uma parede, eu olhei
para o meu pai esperando que ele risse e disse-se “SURPRESA TE PEGUEI.” Mas ele
não fez nada disso, pelo contrario ele se aproximou da parede, tirou a sua
varinha do bolso e com ela tocou a parede cinco vezes em locais diferentes, e
então, para o meu fascínio uma entrada em forma de arco feito de ouro apareceu
no lugar aonde, antes, era uma parede.
Eu não acreditei de inicio, mas
estava caminhando por uma rua meio torta, com várias lojas dos lados, todas
diferentes e cada uma mais fascinante que a outra. Roupas, sapatos, livros,
caldeirões, sapos, corujas, doces, vassouras, você vai encontrar tudo isso e
mais um pouco no Beco Diagonal, exceto artigos de magia negra, meu pai me
explicou que isso só se encontrava na Travessa do Tranco “Mas nunca vá até lá,
ouviu querida? Aquele lugar não é para você.” Meu pai me disse com a voz forte
que ele sempre faz quando quer ser obedecido. Tirei a lista de material do
bolso e começamos as compras, a rua estava lotada de gente usando roupas
esquisitas, foi ai que eu percebi porque iríamos ficar tanto tempo na cidade,
não conseguiríamos comprar tudo em um só dia. Gastamos cinco horas só comprando
meu uniforme e roupas extras, desistimos de continuarmos as compras depois que
vimos o tamanho das filas nas outras lojas.Como já estava na hora do almoço,
meu pai me levou para comer no Mc Donalt’s e em seguida voltamos para o hotel
para guardar as minhas roupas.
“Hoje a noite vai ser muito
especial” ele disse para mim enquanto subíamos o elevador. “Por que?”
perguntei, imaginando aonde iríamos, talvez jantaríamos em um restaurante aonde
fadas fossem garçonetes. “Vamos ir
visitar a sua avó, minha mãe. Mandei uma carta pra ela contando que você havia
recebido A carta e que iria aprender magia.” Eu me empolguei na hora com a
ideia, primeiro porque eu iria conhecer minha avó e segundo porque era uma casa
de bruxo, imagina que legal deve ser a casa de um bruxo. Eu fiquei a tarde toda
imaginando como seria a casa da minha vovó Guilda e quando finalmente chegamos
a porta da casa dela eu já estava quase dando pulinhos de excitação. “Calma
garota, isso tudo é ansiedade de ver sua avó?” papai disse-me dando risinhos.
Fui recebida pela minha vó Guilda
com um super abraço que quase quebrou minhas costelas “Pelas barbas de Merlim,
como você cresceu garota, na ultima foto que recebi, você estava da metade do
tamanho.Por que você não me contou que a minha garotinha tinha crescido Jorge?”
A minha avó como eu logo percebi era uma pessoa muito bem humorada e
excêntrica, era um pouco baixinha e gordinha, usava um vestido rosa camurça e
sapatos vermelhos,e tinha os cabelos curtos e marrons. A casa parecia ser
comum, exceto pelos elfos domesticos na cozinha e uma planta viva que quase
comeu o meu nariz quando fui cheira-la, Guilda, como prefere ser chamada, “Não
sou tão velha assim” ela disse quando a chamei de vovó, me encheu de perguntas
durante o jantar. “ Como está a sua mãe?” “ E a escola trouxa como é?” “Você
não está alimentando essa menina direito Jorge, olhe como ela está magra.” “Já
comprou a sua varinha querida? Sabe esse é o objeto mais importante de um
bruxo, eu me lembro de quando fui comprar a minha varinha...” Bom acho que já
deu pra entender, foi assim que a noite se seguiu, no final Guilda me deu um
beijo na bochecha e disse para o meu pai não desaparecer mais.
Não conseguimos continuar as
compras por dois dias, pois o Beco Diagonal continuava lotado de gente, então,
meu pai me mostrou a cidade e ,devo dizer, ela é maravilhosa.Na quinta- feira
voltamos ao Beco, dessa vez conseguimos terminar as compras e duas coisas
legais aconteceram comigo naquele dia. Primeiro: finalmente meu pai me levou
para comprar a minha varinha, entramos no Olivaras e um rapaz jovem veio nos
atender. “Olá Jorge!” disse ele para o meu pai e depois de olhar para mim
continuou “Veio trazer a sua garotinha, em Jorge. Como eles crescem rápido.”
Eles continuaram o papo falando alguma coisa sobre como são bons os tempos de escola
e eu ouvi o rapaz dizer alguma coisa sobre um filho dele, mas não estava
prestando muita atenção nisso, o que me interessava mesmo era o que estava nas
estantes e puxa! Quantas estantes havia ali, com várias e várias caixas
empilhadas. “Ansiosa menina?” a pergunta me fez despertar do transe “Sim.”
Respondi “Muito.”
O rapaz, que logo descobri se
chamava Kenay Humphrey, me levou até uma bancada com varias caixas empilhadas,
uma em cima da outra, Kenay pegou a caixa do topo da pilha e a destampou, tirou
de lá uma varinha de madeira marrom claro e deu a mim, nada aconteceu, então
ele pegou outra e outra, até que ele pegou uma caixa clara, com desenho de
flores vermelhas na tampa, alguma coisa formigou dentro de mim e quando toquei
na varinha meu coração acelerou, parecia que iria ser arrancado do peito, eu
adorei essa sensação, as minhas mãos ficaram quentes e por um momento vi a
varinha brilhar. Olhei para o meu pai, seus olhos estavam úmidos, ele é um
pouco emotivo para esse tipo de coisa, sorri para ele e ele fez um sinal de
aprovação com o dedo polegar. Quando saímos da loja meu pai me disse “Quando
chegarmos ao hotel eu vou lhe mostrar alguns feitiços.” Eu fiquei muito
empolgada com a ideia e fui dando pulinhos até a Floreios e Borões, uma
livraria, como eu sempre faço quando estou ansiosa por alguma coisa.
A segunda coisa boa aconteceu
quando fui comprar um bichinho pra mim “É tradição na família comprar um animal
para a criança no seu primeiro ano de escola.” Disse meu pai, com aquele tom
animado de sempre. “Que tipo de bichinhos os bruxos tem papai?” perguntei
curiosa “Bom, normalmente, gatos, sapos, corujas, morcegos ou, até mesmo,
ratos.” Eu era alérgica a gatos, tinha nojo de ratos ou sapos e a ideia de ter
um morcego me deu medo, então uma coruja era a opção mais adequada “Acho que
vou querer uma coruja.” Disse por fim. Entrei na loja sozinha, enquanto meu pai
ia comprar o material para as aulas de poções, parecia uma loja de animais
normal, exceto pelos tipos de bichinhos que estavam à venda. Fui até o lado
onde estavam as corujas e puxa como elas eram bonitas, fiquei encantada por uma
marrom claro, pequenininha e fofinha, ela pareceu gostar de mim também, pois
estava me fitando. “Bonita não é?” Disse uma voz atrás de mim, virei para ver
quem era e me deparei com um garoto alto, que parecia ser mais ou menos da
minha idade, ele apontou para a coruja “Ela não é uma coruja qualquer sabe, na
verdade nenhuma delas, todas tem um poder mágico.” Eu fiquei impressionada com
isso “E que tipo de poder essa tem?” perguntei agora mais interessada no garoto
do que na coruja “Ela pode ficar invisível, olhe!” e no mesmo instante a coruja
desapareceu e depois tornou a aparecer “Puxa! Que legal!” eu disse “ Acho que
vou levar essa.” Ele sorriu “Boa escolha. A propósito, meu nome é Matheus.”
Depois que comprei minha coruja,
saímos juntos, eu e o Matheus, da loja e fomos conversando enquanto andávamos
pela rua. “Então..” ele começou “é o seu primeiro ano?” “sim” respondi “ E
você?” “Não esse já o segundo ano que vou para Hogwarts.Você vai gostar de lá,
você aprende coisas legais e as pessoas, na maioria, são bem bacanas.Já sabe em
que casa quer ficar?” eu não entendi a pergunta “Como?” “Você é trouxa?” fiquei
ofendida com o que ele disse, acho que minha cara começou a ficar vermelha de
raiva porque ele logo se consertou “Quer dizer quem não tem pais bruxos,
desculpe pelo termo.” “Há não, meu pai é bruxo, só que ele só me disse quando
recebi a carta.” Depois disso ele me explicou que haviam quatro casas, tipo as
irmandades em faculdades, Grifinória, Corvinal, Lufa-Lufa e Sonserina. “Eu sou
da Sonserina, o primeiro da família a entrar pra lá em séculos.” Disse ele
animado, ele ainda continuou dizendo que a pessoa simplesmente não escolhe pra
onde quer ir, tem que primeiro passar em um teste, isso me deixou curiosa “Que
teste?” perguntei “Você vai ver quando formos para a escola.” “Assim não vale.
Está me deixando curiosa.” Ele riu “Não posso contar, senão vou estragar a
surpresa.” Tentei ficar brava com ele, mas não consegui, não sabia o porquê.
Encontramos meu pai espiando a
vitrine da loja de vassouras “Vai comprar uma vassoura pra mim papai?” ele
pulou de susto, como se tivéssemos pegado ele fazendo uma travessura “Desculpe
querida, mas primeiranistas não podem ter vassouras próprias.” “Hum...” disse
meio decepcionada “Há, papai este aqui é o Matheus, ele estuda em Hogwarts, é
da Sonserina.” “Olá senhor.” Disse o Matheus e estendeu a mão para cumprimentar
meu pai “Olá meu jovem. Que bom ver que minha filha já está fazendo amigos. E
vejo também que comprou a sua coruja, ela é linda querida. Você já escolheu um
nome?” “Ainda não, nem tinha pensado nisso, na verdade eu nem sei se é macho ou
fêmea.” “É macho.” Disse o Matheus “Como você sabe?” perguntei. “é que tava
escrita em baixo da gaiola.” Eu nem tinha reparado, esse pensamento me fez
sorrir e isso foi meio estranho, fiquei um instante em silencio, pensando em um
nome, até que me decidi “Já sei! Noctuam.” “Que original.” Disse o Matheus em
tom sarcástico “Ei, ficou legal tá. Duvido você pensar em um melhor.” Ele
levantou as mãos em sinal de rendição “Tudo bem esquentadinha.” Meu pai estava
se divertindo com a situação, então eu virei pra ele e disse “Há cala a boca!”
“Mas eu não disse nada” ele respondeu tentando parecer injustiçado. Eu me
despedi do meu novo amigo, mas antes de ir embora trocamos os nossos endereços
e prometemos manter contato.
2 semanas depois...
Nossa! Eu nunca, em toda a minha
vida pensaria nisso, mas sabe como chegamos em Hogwarts? De trem. Eu sei que
você deve estar pensando que eu estou exagerando, porque andar de trem e algo tão
comum. Por isso mesmo, e algo muito comum, eu estava esperando algo do tipo
cavalos alados ou então um portal, esses tipos de coisas. Não que isso estragasse
a magia, o trem era enorme e bonito, aparentava ser bem antigo e tinha a cor de
um vermelho bem forte. Nos chegamos a plataforma 9 ¾ as dez e meia, o local
estava lotado de crianças e adolescentes junto de seus pais, a minha mãe foi
conosco desta vez e estava tão fascinada quanto eu.
“Olha quem esta aqui!” disse
Matheus se aproximando “A garota que me escreve todos os dias.” Ele sorriu e eu
corei um pouco por vergonha e, no fundo, por raiva também. “Ei.” Consegui dizer
“Animada? O momento finalmente chegou esta noite você vai poder matar a sua
curiosidade.” Cruzei os braços e fingi estar brava “Ate que fim. Não estou mais
aguentando você e o papai fazendo suspense.” Todo mundo riu e eu acabei rindo
também. O trem apitou, estava quase na hora de partir, meu pai me ajudou a
colocar as malas e Noctuam para dentro do trem e depois de me despedir da minha
mãe, entrei no trem com o meu novo amigo, eu já estava a bordo quando meu pai
me cutucou “Me escreva contando sobre hoje à noite, esta bem?” foi o que ele disse,
eu sorri e balancei a cabeça, tínhamos prometido um pro outro em escrever
sempre que alguma coisa legal acontecesse. O trem começou a partir e eu e o
Matheus andamos pelo corredor a fim de achar um vagão vazio.
Encontramos um vagão com duas
crianças da minha idade, elas estavam empolgadíssimas “Espero ir para a
Corvinal.” Disse o garoto “Chato! Dez mil vezes a Grifinoria.” Respondeu uma
garota “Pra onde e que você quer ir?” perguntou a garota pra mim “Ela vai para
a Sonserina.” Disse o Matheus na minha frente, isso me deixou feliz, por que
ele queria mesmo me ter por perto “Você é da Sonserina?” disse o garoto fazendo
uma cara de repulsa, e continuou “os alunos de La são malvados e arrogantes,
não há ninguém decente naquela casa.” O meu sangue ferveu, queria dar uma na
cara daquele moleque “Não são não!” disse bem alto para ele ouvir “O meu amigo
aqui não é assim, ele é uma pessoa boa.” O Matheus colocou a sua mao no meu
ombro e disse “relaxa Bruna, já estou acostumado. é verdade que a maioria das
pessoas que vão para a Sonserina se tornam malvadas, mas há exceções.” Depois disso nos só conversamos com a garota,
que se chama Thara, ela é muito legal e quer muito ir para a Grifinoria porque
ninguém da família dela, nunca, foi para La e ela quer ser a primeira, espero
que sejamos amigas.
O trem chegou a noite e fizemos
uma travessia de barco, pelo lago, para chegar ao castelo, só os novatos fazem
isso, é tipo como uma iniciação. O castelo é imenso e isso me deixou um pouco
triste, se eu fosse para uma casa diferente do Matheus qual era a chance de
continuarmos nos falando, nos não éramos da mesma turma, nossos horários
provavelmente seriam diferentes, ele com certeza se esqueceria de mim. Mas, em
fim, tentei pensar positivo. Fomos conduzidos ate o salão principal e colocados
em fila na frente do salão e a nossa frente havia um banco, varias ideias
passavam na minha cabeça, será que teríamos que usar algum feitiço para
levantar a cadeira e dependendo do nosso resultado seriamos indicados a uma
casa, ou então eles chamariam um de cada vez para se sentar naquele banco e as
pessoas votariam em qual casa cada um deveria entrar. A minha
cabeça estava doendo de tanto pensar quando uma mulher bem velha, em um vestido
verde esmeralda e um chapéu pontudo na cabeça com a mesma cor, apareceu com um
chapéu com aparência bem gasta nas mãos, ela parou do lago do balcão e conjurou
um pedaço de pergaminho e chamou o primeiro nome: Carlos Donatto, o garoto que
sentara no mesmo vagão que eu durante a viajem foi a frente e se sentou, a
mulher colocou o chapéu em sua cabeça e depois de algum tempo, isso me deixou
espantada, o chapéu anunciou “Lufa- Lufa” e o garoto foi recebido a mesa lufana
com grandes aplausos, mas ele não parecia muito feliz. “Bem feito” pensei.
Quando o meu nome foi chamado quase tropecei, sentei no banco um pouco nervosa
e quando o chapéu seletor foi colocado na minha cabeça uma coisa estranha
aconteceu, ele começou a falar em minha mente “Hum... esta nervosa querida, não
fique, eu não mordo. Vejamos o que temos aqui, vejo duvida, surpresa,
amizade.... amor. Que coisa interessante!” acho que corei nessa hora, mas ele
continuou “E corajosa também, e puxa! Um tanto estressada. Já sei aonde vou
coloca-la querida. GRIFINORIA!” ele disse em alto e bom som aquela ultima
palavra, o meu coração foi despedaçado, meu medo se realizou, fiquei com muito
raiva daquele chapéu idiota, queria ter gritado a ele que havia errado, que o
certo era ele dizer Sonserina, mas só o que fiz foi ir andando ate a mesa da
minha mais nova casa com os olhos grudados no Matheus, que estava triste assim
como eu, a única coisa boa que aconteceu, foi que a Thara também foi para a
grifinoria.
Depois do jantar os monitores de
cada casa pediu que os anos do primeiro ano os seguissem, para que nos aprendêssemos
o caminho. A nossa “casa” fica em uma das torres, para se entrar é preciso
dizer a senha a uma mulher gorda no quadro, só para constar, todas as pinturas
tem vida e as fotos se movem no mundo bruxo, e eu achei isso muito legal,
agora, continuando, depois que dizemos a senha o quadro desliza mostrando uma
passagem que da direto em uma sala e os quartos ficam no andar de cima. Todas
as minhas coisas estavam arrumadas em cima da cama, ate minha corujinha Noctuam
estava ali, ela ficou muito feliz em me ver. Eu troquei de roupa e comecei a
escrever a carta para meu pai, nela eu dizia o quanto estava feliz e triste ao
mesmo tempo, feliz por estar em uma escola de magia e triste porque ficaria
distante do meu amigo e que com certeza nos deixaríamos de nos falar, contei
sobre o momento em que coloquei o chapéu seletor e como estava com raiva dele,
mencionei Thara e como ela era legal, enfim, contei tudo.
Coloquei a carta dentro do
envelope, escrevi “Para papai” no verso e entreguei a Noctuam que agarrou a
carta com o bico, levei ele ate a janela aberta e disse “Você sabe o que
fazer.”e assim ele saiu voando noite a fora. O vento que entrava pela janela
estava muito bom, então resolvi ficar um pouco ali olhando o céu, estava uma
bela noite estrelada e a lua estava enorme e brilhante. “Uma ótima noite para
voar não acha?” o meu susto foi tão grande que eu levantei com um salto “Esta
louco garoto?! Como você...” as palavras morreram na garganta, Matheus estava
ali do outro lado da janela montando um... “Que animal é este?” perguntei “Um
Hipogrifo, venha vamos dar uma volta.” Ele me ofereceu a mao e me ajudou a
subir no bicho, Matheus deu um tapinha na cabeça do hipogrifo e ele subiu mais
alto que as nuvens e mais veloz que um raio, pode parecer um exagero para você,
mas foi o que pareceu pra mim, La de cima a lua parecia ainda maior, estávamos
andando em linha reta agora “Qual e o nome dele?” “Biguço.” Eu sorri e disse
“Lindo nome.” Na verdade eu não sorri porque achei o nome bonito, eu sorri
porque percebi que estava voando num hipogrifo abraçada ao Matheus, o meu
pensamento aquela hora foi que ele havia saído pra me ver “Olha...” ele interrompeu
meus pensamentos “... eu queria muito que você tivesse ido para a Sonserina,
mas não pense que vou esquecer de você esta bem? Nos ainda nos veremos no
recreio e nos fins de semana, ainda podemos ser amigos.” Nessa hora ele virou
para trás e sorriu e eu soube que havia encontrado alguém para passar a minha
vida inteira junto.
FIM