quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Na varanda da sua casa
Estávamos debruçados de costas no parapeito, olhando as estrelas acima de nós. Você falava de como o mundo é perfeito e eu ria por te achar um bobo sonhador. –Ora, é verdade. - Você dizia. –Não consigo ver tamanha beleza em tanta destruição. -Eu rebatia. –Culpa do homem, não da natureza. Mas não esta tudo acabado, pense nos parques, nas florestas, veja como é bonito um sorriso, as crianças brincando na chuva, as nuvens... -E então você abria os braços e me lançava um olhar sonhador, esses olhos brilhantes me olhavam implorando para que eu embarcasse nesse mundo belo e maravilhoso –O universo é um espetáculo de cores, com todas as suas constelações e galáxias, a beleza esta no abraço, meu amor... -E então me abraçava –A beleza esta no sorriso, na harmonia dos corpos... -Então agarrava a minha cintura e me rodava e eu segurava seus ombros com força e ria de prazer, por fim olhava fundo nos meus olhos, seu rosto bem próximo do meu e sussurrava –No beijo de dois amantes apaixonados... -e me beijava, o mundo rodava até sumir, só existíamos nós dois, o nada era belo e a nossa existência era mágica...

Na hora da minha morte

O silencio dentro do quarto era mórbido, o corpo jazia no chão ao lado de uma poça de sangue, nas mãos da moça havia uma faca, os pulsos cortados, ela sangrou até morrer. Eu estava ali, em pé ao lado do corpo, do meu corpo, estava pálida e meus olhos estavam abertos. Abaixei para olha-los, estavam vazios, sem vida, mas de certa forma pareciam estar aliviados, finalmente em paz.
Em um canto do quarto havia uma mulher alta com um longo vestido preto, notei a sua presença um pouco antes de tudo ficar escuro, parecia triste e poderia até jurar que vi lágrimas escorrendo do seu rosto quando tudo acabou.   Paro de contemplar meu corpo caído e vou em direção a ela, quero lhe fazer perguntas, saber quem é, o que ela faz ali presenciando um momento tão intimo.
-Quem é você?- Pergunto. De perto ela parecia ainda mais bonita, ela me fitava com um ar de tristeza, seus olhos eram profundos, a sensação era de que se você olhasse muito para eles acabaria se afogando. Depois de um longo tempo respondeu.
-Acho que você já sabe a resposta não é?
-Você é a Morte não é?- acho que ela ficou impressionada por eu não expressar medo pois ela sorriu.
-Não, eu não sou a morte. Eu sou uma ceifeira, a morte é apenas uma passagem assim como a vida.
-Hum. – e um longo silencio pairou no ar. Vi os seus olhos se desviarem de mim e irem para outra direção.
-Tão jovem. Por que fazer isso com si próprio?
Percebi então que ela estava olhando para o meu corpo no chão, pude ver lagrimas querendo surgir no canto de seus olhos e pensei comigo “se ela soubesse”, comecei a lembrar das coisas horríveis que passei, do medo, da dor. Quando voltei dessas tristes lembranças percebi que ela me encarava, parecia querer uma reposta.
-Foi a única saída que eu vi.Não havia mais nenhuma porta.
-Ás coisas estavam tão ruins assim?Por que você não pediu ajuda? –as palavras saíram como uma suplica.
-Eu não sabia que os ceifeiros se importavam com os mortos que eles levam. E a resposta é sim, as coisas estavam péssimas e eu tentei mandar sinais para as pessoas à minha volta, mas ninguém percebeu, por que eles não se importam comigo. 
-Não seja egoísta e mimada menina. –ela parecia nervosa agora. –Sinais... Você tem que falar!Ninguém tem bola de cristal. E você diz que ninguém te ama, mas e o seus pais hein?Você já pensou na reação deles quando te virem morta sua egoísta.
Aquilo me acertou como um martelo, direto na cabeça, meus pais... Não tinha pensado nisso. Quando fiz aquilo só pensava na minha dor, de me livrar dela. Sentia-me culpada, será que iria para o inferno por isso? Entrei em pânico, comecei a chorar e em meio a soluços implorei para que ela me levasse de volta, mas ela ficou impassível, disse que não, que esse seria meu castigo, passar a eternidade com essa culpa.
Acordei ofegante, estava suada e tremendo, o sonho havia se tornado um pesadelo, o que era para ser uma coisa boa se tornou ruim. Olhei os meus pulsos, os cortes do dia anterior estavam bem visíveis, eu não queria mais aquela vida, estava cansada de sofrer. Daquele dia em diante me mantive firme e toda vez que pensava em ter uma recaída me lembrava daquele sonho, dos meus pais, da moça de preto. O que era frequente passou a ser semanal, depois uma vez no mês, com o tempo os cortes quase cessaram até que por fim cessaram.As vezes acho que o sonho foi real, que eu supliquei tanto que a ceifeira acabou cedendo, outras vezes chego a conclusão de que foi tudo armação do meu inconsciente que não aguentava mais aquela situação, mas não importa porque nunca mais vou deixar os meus problemas e medos governarem a minha vida e isso é uma promessa.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cabeça de alga...

...meu idiota.
As vezes eu peço para que as coisas sejam um pouco mais fáceis para nós, a vida de um semideus é dura e você sabe disso tão bem quanto eu. Tenho que admitir que você mexeu comigo desde o dia em que eu o observei babando, naquela maca, você se lembra disso? 
Mas as vezes agradeço por ter acontecido o que aconteceu conosco, por que se não tivesse sido assim será que hoje estaríamos juntos? Eu não sei, e não importa porque nós estamos e quero que saiba que a resposta é sim... eu sei o que esta passando pela sua cabeça, viver com os romanos, uma vida plena, sem monstros, uma família... Tenho que admitir que fiquei com ciumes da sua escolha, mas eu te amo e... oras nos fomos até o tártaro juntos não foi? Eu só quero passar todos os meus dias, ate o final da minha vida com você...Mamãe vai odiar a ideia kk


MuNdO eStRaNhO

Clarisse era uma garota estranha... ela gostava de tomar banho com detergente, pintar as roupas com a mão, sentar pelada na neves, nos dias de inverno, e ficar observando o nascer do sol...
Uma garota excepcionalmente excêntrica, com borboletas no lugar do coração e passarinhos no lugar do cérebro...
Clarisse era feliz... até que mataram as suas borboletas, um sapo verde e gordo as comeu, uma a uma, e quando Clarisse se deu conta, já era tarde de mais...
Hoje em dia Clarisse anda mais estranha... mas não do tipo feliz, mas sim do tipo triste, como se faltasse uma coisa dentro dela, o que é verdade...
Ouvi dizer que ela enterrou as borboletas no cemitério... e que nas noites de sábado, quem passa por lá consegue ouvir ela cantando pras borboletas, uma musica triste e sonhadora sobre uma doninha que não consegue amar...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Meu Pai é um bruxo

Meu nome é Bruna Stephen Singer, sou mestiça. Enfim, foi um susto para mim e minha mãe quando recebi a carta, meu pai disse que queria contar antes, mas nunca era o momento certo, quando papai disse que era bruxo minha mãe jogou um vaso na cabeça dele e o xingou de todas as palavras que eu conhecia e mais um pouco. Bem, eu não a culpo, também fiquei um pouco nervosa com ele por não ter me falado, o que custava ele ter chegado pra mim e ter dito “ei filha, eu ando de vassoura e mexo num caldeirão lá no porão e um dia você também vai fazer essas coisas”, é claro que ele não tem um caldeirão no porão, nem uma vassoura. Mas no dia em que eu recebi a carta, depois que ele se recuperou da pancada que levara na cabeça, meu pai me levou até o seu quarto e tirou de dentro do cofre, que ele tinha escondido atrás do guarda-roupa, uma caixinha de madeira e de dentro dessa caixinha ele pegou uma bela varinha mágica feita de madeira, ela tinha entalhes no começo do cabo que eu não conseguir distinguir direito o que era, mas era em si perfeita.
Minha mãe subiu para o quarto logo depois, ela estava com o rosto vermelho de tanto gritar, mas parecia mais calma, ela se encostou ao lado da porta e olhou para o meu pai, para varinha, depois para mim e voltou a encarar o meu pai e disse, eu senti na voz dela que ela estava falando a verdade, que da próxima vez que ele escondesse alguma coisa dela, ela iria corta a língua dele. Ele entendeu o recado e disse que nada mais seria escondido dela ou de mim, e então, contou sobre a sua família e o mundo em que foi criado.
“Eu venho de uma família de sangue puro, quer dizer, só a bruxos na família, hoje em dia isso é muito difícil de ver, e bom, agora nossa família também não é mais pura.” Ele disse sorrindo, mas a mamãe não gostou da gracinha, ele tossiu forçado e continuou. “Bom, quando se faz onze anos, as crianças de sangue mágico recebem uma carta com a autorização para estudar magia em Hogwarts, uma das melhores se me permite dizer, eu estudei lá por sete anos e aprendi tudo que sei naquela escola, mas ai eu conheci sua mãe e resolvi deixar tudo pra trás e viver uma vida normal com ela.” Então ele olhou para mim, sua voz saiu doce e gentil. “Agora chegou a sua vez. Você pode estudar magia se quiser, mas se escolher continuar sendo uma garotinha normal eu vou entender, só quero que você se sinta bem com a escolha que tomar.” Seus olhos continuaram me encarando, esperando uma resposta, eu hesitei, tudo aquilo era demais para a minha cabeça, mas o pensamento de poder fazer magias e voar numa vassoura venceu e eu disse que sim, que queria ir para essa tal Hogwarts, ver no que dava.
Minha mãe arrumou uma mochila com roupas suficientes para passar uma semana enquanto eu lia a minha carta:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS
Diretor: Patrick James Willian(Ordem de Merlim, Primeira Classe)
Prezada Sra. Singer;
Temos o prazer de informar que V.S.a tem uma vaga na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McConagall. Diretora Substituta.
Minha mãe estava acabando de guardar minha escova de dentes na mochila quando o papai apareceu na porta e disse “Já mandei a coruja informando que você vai ir para a escola este ano.E então já está pronta para irmos comprar os seus matérias?” Minha mãe levantou a mochila, ela não iria conosco porque estava lotada de provas para corrigir, eu me esqueci de mencionar que minha mãe é professora de História no Ensino Médio, então era só eu e meu pai por uma semana. Sabe, a experiência foi bem legal, não via meu pai tão empolgado desde a minha primeira apresentação de teatro na escola quando eu interpretei a Rapunzel, na peça intitulada “Deu a louca nos contos de fadas”, chegamos a Londres na noite de Domingo e nos hospedamos num hotel comum, ele disse que da próxima vez ficaríamos no Caldeirão Furado, quando eu perguntei por que não poderíamos ficar lá desta vez ele me respondeu que eu não estava preparada e que seria um grande choque de realidade para mim. “Fica para o próximo ano querida.” Ele disse bagunçando o meu cabelo e me mandou ir direto pra cama, pois teríamos um longo dia amanhã.
Fui acordada pela manhã com o despertador do meu pai tocando e ele dizendo “acorda dorminhoca”, eu levantei da cama e fui me trocar, coloquei um short jeans, cor de laranja, e uma blusa de frio azul, mais por costume do que por frio, que ficava justa ao corpo, depois que calcei meus tênis all stars fomos tomar café da manhã em uma cafeteria em frente ao hotel. Eu pedi um capuchino e rosquinhas de chocolate enquanto o meu pai pediu café com leite e torradas com geleia. Depois de sairmos do lugar bastante satisfeitos, seguimos por uma serie de ruas até chegarmos em frente a um bar velho com uma placa em cima da porta que dizia CALDEIRÃO FURADO, não entendi por que estávamos ali, pois nos devíamos comprar meu material, mas antes que eu pudesse perguntar meu pai me disse “Este é o caminho para as lojas, não achou que elas iriam ficar aonde pudessem ser vista por todos achou?”
O bar era um pouco escuro, iluminado apenas por algumas velas que ficavam sobre as mesas ou flutuando perto das paredes, fiquei me perguntando se tudo naquele mundo seria tão sombrio, acho que meu pai percebeu que eu estava começando a ficar com medo porque ele disse “relaxa, nem todos os lugares aqui são como este salão e as pessoas aqui são todas amigáveis, você não tem que se preocupar querida.” Atravessamos o bar e saímos pelo porta dos fundos, o que eu vi depois me surpreendeu muito. Uma PAREDE era só isso o que tinha ali, uma parede, eu olhei para o meu pai esperando que ele risse e disse-se “SURPRESA TE PEGUEI.” Mas ele não fez nada disso, pelo contrario ele se aproximou da parede, tirou a sua varinha do bolso e com ela tocou a parede cinco vezes em locais diferentes, e então, para o meu fascínio uma entrada em forma de arco feito de ouro apareceu no lugar aonde, antes, era uma parede.
Eu não acreditei de inicio, mas estava caminhando por uma rua meio torta, com várias lojas dos lados, todas diferentes e cada uma mais fascinante que a outra. Roupas, sapatos, livros, caldeirões, sapos, corujas, doces, vassouras, você vai encontrar tudo isso e mais um pouco no Beco Diagonal, exceto artigos de magia negra, meu pai me explicou que isso só se encontrava na Travessa do Tranco “Mas nunca vá até lá, ouviu querida? Aquele lugar não é para você.” Meu pai me disse com a voz forte que ele sempre faz quando quer ser obedecido. Tirei a lista de material do bolso e começamos as compras, a rua estava lotada de gente usando roupas esquisitas, foi ai que eu percebi porque iríamos ficar tanto tempo na cidade, não conseguiríamos comprar tudo em um só dia. Gastamos cinco horas só comprando meu uniforme e roupas extras, desistimos de continuarmos as compras depois que vimos o tamanho das filas nas outras lojas.Como já estava na hora do almoço, meu pai me levou para comer no Mc Donalt’s e em seguida voltamos para o hotel para guardar as minhas roupas.
“Hoje a noite vai ser muito especial” ele disse para mim enquanto subíamos o elevador. “Por que?” perguntei, imaginando aonde iríamos, talvez jantaríamos em um restaurante aonde fadas fossem garçonetes.  “Vamos ir visitar a sua avó, minha mãe. Mandei uma carta pra ela contando que você havia recebido A carta e que iria aprender magia.” Eu me empolguei na hora com a ideia, primeiro porque eu iria conhecer minha avó e segundo porque era uma casa de bruxo, imagina que legal deve ser a casa de um bruxo. Eu fiquei a tarde toda imaginando como seria a casa da minha vovó Guilda e quando finalmente chegamos a porta da casa dela eu já estava quase dando pulinhos de excitação. “Calma garota, isso tudo é ansiedade de ver sua avó?” papai disse-me dando risinhos.
Fui recebida pela minha vó Guilda com um super abraço que quase quebrou minhas costelas “Pelas barbas de Merlim, como você cresceu garota, na ultima foto que recebi, você estava da metade do tamanho.Por que você não me contou que a minha garotinha tinha crescido Jorge?” A minha avó como eu logo percebi era uma pessoa muito bem humorada e excêntrica, era um pouco baixinha e gordinha, usava um vestido rosa camurça e sapatos vermelhos,e tinha os cabelos curtos e marrons. A casa parecia ser comum, exceto pelos elfos domesticos na cozinha e uma planta viva que quase comeu o meu nariz quando fui cheira-la, Guilda, como prefere ser chamada, “Não sou tão velha assim” ela disse quando a chamei de vovó, me encheu de perguntas durante o jantar. “ Como está a sua mãe?” “ E a escola trouxa como é?” “Você não está alimentando essa menina direito Jorge, olhe como ela está magra.” “Já comprou a sua varinha querida? Sabe esse é o objeto mais importante de um bruxo, eu me lembro de quando fui comprar a minha varinha...” Bom acho que já deu pra entender, foi assim que a noite se seguiu, no final Guilda me deu um beijo na bochecha e disse para o meu pai não desaparecer mais.
Não conseguimos continuar as compras por dois dias, pois o Beco Diagonal continuava lotado de gente, então, meu pai me mostrou a cidade e ,devo dizer, ela é maravilhosa.Na quinta- feira voltamos ao Beco, dessa vez conseguimos terminar as compras e duas coisas legais aconteceram comigo naquele dia. Primeiro: finalmente meu pai me levou para comprar a minha varinha, entramos no Olivaras e um rapaz jovem veio nos atender. “Olá Jorge!” disse ele para o meu pai e depois de olhar para mim continuou “Veio trazer a sua garotinha, em Jorge. Como eles crescem rápido.” Eles continuaram o papo falando alguma coisa sobre como são bons os tempos de escola e eu ouvi o rapaz dizer alguma coisa sobre um filho dele, mas não estava prestando muita atenção nisso, o que me interessava mesmo era o que estava nas estantes e puxa! Quantas estantes havia ali, com várias e várias caixas empilhadas. “Ansiosa menina?” a pergunta me fez despertar do transe “Sim.” Respondi “Muito.”
O rapaz, que logo descobri se chamava Kenay Humphrey, me levou até uma bancada com varias caixas empilhadas, uma em cima da outra, Kenay pegou a caixa do topo da pilha e a destampou, tirou de lá uma varinha de madeira marrom claro e deu a mim, nada aconteceu, então ele pegou outra e outra, até que ele pegou uma caixa clara, com desenho de flores vermelhas na tampa, alguma coisa formigou dentro de mim e quando toquei na varinha meu coração acelerou, parecia que iria ser arrancado do peito, eu adorei essa sensação, as minhas mãos ficaram quentes e por um momento vi a varinha brilhar. Olhei para o meu pai, seus olhos estavam úmidos, ele é um pouco emotivo para esse tipo de coisa, sorri para ele e ele fez um sinal de aprovação com o dedo polegar. Quando saímos da loja meu pai me disse “Quando chegarmos ao hotel eu vou lhe mostrar alguns feitiços.” Eu fiquei muito empolgada com a ideia e fui dando pulinhos até a Floreios e Borões, uma livraria, como eu sempre faço quando estou ansiosa por alguma coisa.
A segunda coisa boa aconteceu quando fui comprar um bichinho pra mim “É tradição na família comprar um animal para a criança no seu primeiro ano de escola.” Disse meu pai, com aquele tom animado de sempre. “Que tipo de bichinhos os bruxos tem papai?” perguntei curiosa “Bom, normalmente, gatos, sapos, corujas, morcegos ou, até mesmo, ratos.” Eu era alérgica a gatos, tinha nojo de ratos ou sapos e a ideia de ter um morcego me deu medo, então uma coruja era a opção mais adequada “Acho que vou querer uma coruja.” Disse por fim. Entrei na loja sozinha, enquanto meu pai ia comprar o material para as aulas de poções, parecia uma loja de animais normal, exceto pelos tipos de bichinhos que estavam à venda. Fui até o lado onde estavam as corujas e puxa como elas eram bonitas, fiquei encantada por uma marrom claro, pequenininha e fofinha, ela pareceu gostar de mim também, pois estava me fitando. “Bonita não é?” Disse uma voz atrás de mim, virei para ver quem era e me deparei com um garoto alto, que parecia ser mais ou menos da minha idade, ele apontou para a coruja “Ela não é uma coruja qualquer sabe, na verdade nenhuma delas, todas tem um poder mágico.” Eu fiquei impressionada com isso “E que tipo de poder essa tem?” perguntei agora mais interessada no garoto do que na coruja “Ela pode ficar invisível, olhe!” e no mesmo instante a coruja desapareceu e depois tornou a aparecer “Puxa! Que legal!” eu disse “ Acho que vou levar essa.” Ele sorriu “Boa escolha. A propósito, meu nome é Matheus.”
Depois que comprei minha coruja, saímos juntos, eu e o Matheus, da loja e fomos conversando enquanto andávamos pela rua. “Então..” ele começou “é o seu primeiro ano?” “sim” respondi “ E você?” “Não esse já o segundo ano que vou para Hogwarts.Você vai gostar de lá, você aprende coisas legais e as pessoas, na maioria, são bem bacanas.Já sabe em que casa quer ficar?” eu não entendi a pergunta “Como?” “Você é trouxa?” fiquei ofendida com o que ele disse, acho que minha cara começou a ficar vermelha de raiva porque ele logo se consertou “Quer dizer quem não tem pais bruxos, desculpe pelo termo.” “Há não, meu pai é bruxo, só que ele só me disse quando recebi a carta.” Depois disso ele me explicou que haviam quatro casas, tipo as irmandades em faculdades, Grifinória, Corvinal, Lufa-Lufa e Sonserina. “Eu sou da Sonserina, o primeiro da família a entrar pra lá em séculos.” Disse ele animado, ele ainda continuou dizendo que a pessoa simplesmente não escolhe pra onde quer ir, tem que primeiro passar em um teste, isso me deixou curiosa “Que teste?” perguntei “Você vai ver quando formos para a escola.” “Assim não vale. Está me deixando curiosa.” Ele riu “Não posso contar, senão vou estragar a surpresa.” Tentei ficar brava com ele, mas não consegui, não sabia o porquê.
Encontramos meu pai espiando a vitrine da loja de vassouras “Vai comprar uma vassoura pra mim papai?” ele pulou de susto, como se tivéssemos pegado ele fazendo uma travessura “Desculpe querida, mas primeiranistas não podem ter vassouras próprias.” “Hum...” disse meio decepcionada “Há, papai este aqui é o Matheus, ele estuda em Hogwarts, é da Sonserina.” “Olá senhor.” Disse o Matheus e estendeu a mão para cumprimentar meu pai “Olá meu jovem. Que bom ver que minha filha já está fazendo amigos. E vejo também que comprou a sua coruja, ela é linda querida. Você já escolheu um nome?” “Ainda não, nem tinha pensado nisso, na verdade eu nem sei se é macho ou fêmea.” “É macho.” Disse o Matheus “Como você sabe?” perguntei. “é que tava escrita em baixo da gaiola.” Eu nem tinha reparado, esse pensamento me fez sorrir e isso foi meio estranho, fiquei um instante em silencio, pensando em um nome, até que me decidi “Já sei! Noctuam.” “Que original.” Disse o Matheus em tom sarcástico “Ei, ficou legal tá. Duvido você pensar em um melhor.” Ele levantou as mãos em sinal de rendição “Tudo bem esquentadinha.” Meu pai estava se divertindo com a situação, então eu virei pra ele e disse “Há cala a boca!” “Mas eu não disse nada” ele respondeu tentando parecer injustiçado. Eu me despedi do meu novo amigo, mas antes de ir embora trocamos os nossos endereços e prometemos manter contato.
2 semanas depois...
Nossa! Eu nunca, em toda a minha vida pensaria nisso, mas sabe como chegamos em Hogwarts? De trem. Eu sei que você deve estar pensando que eu estou exagerando, porque andar de trem e algo tão comum. Por isso mesmo, e algo muito comum, eu estava esperando algo do tipo cavalos alados ou então um portal, esses tipos de coisas. Não que isso estragasse a magia, o trem era enorme e bonito, aparentava ser bem antigo e tinha a cor de um vermelho bem forte. Nos chegamos a plataforma 9 ¾ as dez e meia, o local estava lotado de crianças e adolescentes junto de seus pais, a minha mãe foi conosco desta vez e estava tão fascinada quanto eu.
“Olha quem esta aqui!” disse Matheus se aproximando “A garota que me escreve todos os dias.” Ele sorriu e eu corei um pouco por vergonha e, no fundo, por raiva também. “Ei.” Consegui dizer “Animada? O momento finalmente chegou esta noite você vai poder matar a sua curiosidade.” Cruzei os braços e fingi estar brava “Ate que fim. Não estou mais aguentando você e o papai fazendo suspense.” Todo mundo riu e eu acabei rindo também. O trem apitou, estava quase na hora de partir, meu pai me ajudou a colocar as malas e Noctuam para dentro do trem e depois de me despedir da minha mãe, entrei no trem com o meu novo amigo, eu já estava a bordo quando meu pai me cutucou “Me escreva contando sobre hoje à noite, esta bem?” foi o que ele disse, eu sorri e balancei a cabeça, tínhamos prometido um pro outro em escrever sempre que alguma coisa legal acontecesse. O trem começou a partir e eu e o Matheus andamos pelo corredor a fim de achar um vagão vazio.
Encontramos um vagão com duas crianças da minha idade, elas estavam empolgadíssimas “Espero ir para a Corvinal.” Disse o garoto “Chato! Dez mil vezes a Grifinoria.” Respondeu uma garota “Pra onde e que você quer ir?” perguntou a garota pra mim “Ela vai para a Sonserina.” Disse o Matheus na minha frente, isso me deixou feliz, por que ele queria mesmo me ter por perto “Você é da Sonserina?” disse o garoto fazendo uma cara de repulsa, e continuou “os alunos de La são malvados e arrogantes, não há ninguém decente naquela casa.” O meu sangue ferveu, queria dar uma na cara daquele moleque “Não são não!” disse bem alto para ele ouvir “O meu amigo aqui não é assim, ele é uma pessoa boa.” O Matheus colocou a sua mao no meu ombro e disse “relaxa Bruna, já estou acostumado. é verdade que a maioria das pessoas que vão para a Sonserina se tornam malvadas, mas há exceções.”  Depois disso nos só conversamos com a garota, que se chama Thara, ela é muito legal e quer muito ir para a Grifinoria porque ninguém da família dela, nunca, foi para La e ela quer ser a primeira, espero que sejamos amigas.
O trem chegou a noite e fizemos uma travessia de barco, pelo lago, para chegar ao castelo, só os novatos fazem isso, é tipo como uma iniciação. O castelo é imenso e isso me deixou um pouco triste, se eu fosse para uma casa diferente do Matheus qual era a chance de continuarmos nos falando, nos não éramos da mesma turma, nossos horários provavelmente seriam diferentes, ele com certeza se esqueceria de mim. Mas, em fim, tentei pensar positivo. Fomos conduzidos ate o salão principal e colocados em fila na frente do salão e a nossa frente havia um banco, varias ideias passavam na minha cabeça, será que teríamos que usar algum feitiço para levantar a cadeira e dependendo do nosso resultado seriamos indicados a uma casa, ou então eles chamariam um de cada vez para se sentar naquele banco e as pessoas votariam em qual casa cada um deveria entrar.  A minha cabeça estava doendo de tanto pensar quando uma mulher bem velha, em um vestido verde esmeralda e um chapéu pontudo na cabeça com a mesma cor, apareceu com um chapéu com aparência bem gasta nas mãos, ela parou do lago do balcão e conjurou um pedaço de pergaminho e chamou o primeiro nome: Carlos Donatto, o garoto que sentara no mesmo vagão que eu durante a viajem foi a frente e se sentou, a mulher colocou o chapéu em sua cabeça e depois de algum tempo, isso me deixou espantada, o chapéu anunciou “Lufa- Lufa” e o garoto foi recebido a mesa lufana com grandes aplausos, mas ele não parecia muito feliz. “Bem feito” pensei. Quando o meu nome foi chamado quase tropecei, sentei no banco um pouco nervosa e quando o chapéu seletor foi colocado na minha cabeça uma coisa estranha aconteceu, ele começou a falar em minha mente “Hum... esta nervosa querida, não fique, eu não mordo. Vejamos o que temos aqui, vejo duvida, surpresa, amizade.... amor. Que coisa interessante!” acho que corei nessa hora, mas ele continuou “E corajosa também, e puxa! Um tanto estressada. Já sei aonde vou coloca-la querida. GRIFINORIA!” ele disse em alto e bom som aquela ultima palavra, o meu coração foi despedaçado, meu medo se realizou, fiquei com muito raiva daquele chapéu idiota, queria ter gritado a ele que havia errado, que o certo era ele dizer Sonserina, mas só o que fiz foi ir andando ate a mesa da minha mais nova casa com os olhos grudados no Matheus, que estava triste assim como eu, a única coisa boa que aconteceu, foi que a Thara também foi para a grifinoria.
Depois do jantar os monitores de cada casa pediu que os anos do primeiro ano os seguissem, para que nos aprendêssemos o caminho. A nossa “casa” fica em uma das torres, para se entrar é preciso dizer a senha a uma mulher gorda no quadro, só para constar, todas as pinturas tem vida e as fotos se movem no mundo bruxo, e eu achei isso muito legal, agora, continuando, depois que dizemos a senha o quadro desliza mostrando uma passagem que da direto em uma sala e os quartos ficam no andar de cima. Todas as minhas coisas estavam arrumadas em cima da cama, ate minha corujinha Noctuam estava ali, ela ficou muito feliz em me ver. Eu troquei de roupa e comecei a escrever a carta para meu pai, nela eu dizia o quanto estava feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por estar em uma escola de magia e triste porque ficaria distante do meu amigo e que com certeza nos deixaríamos de nos falar, contei sobre o momento em que coloquei o chapéu seletor e como estava com raiva dele, mencionei Thara e como ela era legal, enfim, contei tudo.
Coloquei a carta dentro do envelope, escrevi “Para papai” no verso e entreguei a Noctuam que agarrou a carta com o bico, levei ele ate a janela aberta e disse “Você sabe o que fazer.”e assim ele saiu voando noite a fora. O vento que entrava pela janela estava muito bom, então resolvi ficar um pouco ali olhando o céu, estava uma bela noite estrelada e a lua estava enorme e brilhante. “Uma ótima noite para voar não acha?” o meu susto foi tão grande que eu levantei com um salto “Esta louco garoto?! Como você...” as palavras morreram na garganta, Matheus estava ali do outro lado da janela montando um... “Que animal é este?” perguntei “Um Hipogrifo, venha vamos dar uma volta.” Ele me ofereceu a mao e me ajudou a subir no bicho, Matheus deu um tapinha na cabeça do hipogrifo e ele subiu mais alto que as nuvens e mais veloz que um raio, pode parecer um exagero para você, mas foi o que pareceu pra mim, La de cima a lua parecia ainda maior, estávamos andando em linha reta agora “Qual e o nome dele?” “Biguço.” Eu sorri e disse “Lindo nome.” Na verdade eu não sorri porque achei o nome bonito, eu sorri porque percebi que estava voando num hipogrifo abraçada ao Matheus, o meu pensamento aquela hora foi que ele havia saído pra me ver “Olha...” ele interrompeu meus pensamentos “... eu queria muito que você tivesse ido para a Sonserina, mas não pense que vou esquecer de você esta bem? Nos ainda nos veremos no recreio e nos fins de semana, ainda podemos ser amigos.” Nessa hora ele virou para trás e sorriu e eu soube que havia encontrado alguém para passar a minha vida inteira junto.

FIM